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O Memorial da História em Quadrinhos da Paraíba é um projeto de extensão e pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba

Edição:
Henrique Magalhães

Contato: henriquemais@gmail.com

Equipe editorial:
Paloma Diniz

Cobaloradores:
Cristovam Tadeu (detalhe de ilustração para o cabeçalho)

Criou-se em julho de 2013, com fluxo contínuo de atualizações.

   Personagens

Escola de ladrões

Achidy Picado Filho começou suas atividades artísticas em 1976 como quadrinista, ao publicar no suplemento O Pirralho, do jornal A União, de João Pessoa. O jornal oficial do estado da Paraíba foi o grande incentivador dessa arte, acolhendo os jovens que ansiavam publicar seus desenhos, a exemplo de Cristovam Tadeu, Emir Ribeiro e Danielito Graneros.

Ao contrário da maioria dos pirralhos que enveredavam na criação de quadrinhos, Archidy não tinha personagens fixos, fazia gags livres de qualquer amarra temática ou conceitual. O que importava era a expressão de sua visão de mundo, balizada pelo humor que lhe é peculiar. Mais pra frente, ele passou a publicar no jornal O Norte, mas adotando o formato tradicional da tira, com personagens mais delineados. Surgia, assim, em 1997, a série Escola de ladrões.

Segundo Archidy, foi uma dada situação que lhe proporcionou o lampejo para o desenvolvimento das tiras de Escola de ladrões: “Imagine-se andando descontraidamente de volta pra casa depois de um dia de trabalho, tentando pensar que viverá apenas o conforto do momento presente. De repente, como se surgisse do nada, alguém dá um passo em sua direção e você sorri para ele, lhe deseja boa noite. O cara recua, e faz um sinal para outro, que vem caminhando ao seu encontro. Você passa entre os dois e, então, já um tanto distante deles, ouvi o comentário ‘Como posso assaltar alguém que sorri para mim?’.”

Para qualquer um, uma situação dessa é apenas factível no mundo ficcional, como pensou Archidy, mas havia mesmo acontecido com ele, na esquina de casa. “As tirinhas de Escota de ladrões, portanto, publicada neste jornal a convite do amigo Cristovam Tadeu, é pra você, leitor, que gosta de quadrinhos, já foi assaltado nesta nossa João Pessoa de Deus ou é um dos que se sentem contagiados com um sorriso, capaz de evitar incêndios”, arremata Archidy.

Escola de ladrões apresenta situações corriqueiras, tão recorrentes em qualquer telejornal da noite. Contudo, ao invés de enfocar o lado das vítimas, a tira procura o humor nos bastidores do mundo do crime por meio de diálogos entre um mestre da delinquência e seus nem tão disciplinados seguidores. São gags de muito bom humor, que jogam com conceitos de moralidade e ética, hierarquia e respeito. Sem dúvida, o universo que Archidy passou a explorar daria panos pras mangas se ele tivesse dado sequência à série, que só chegou a algumas dezenas de tiras.

Vistas na atualidade, em que metade do tempo nos telejornais é dedicado a noticiar os mais inventivos golpes e falcatruas aplicadas no dinheiro público por políticos e empresários, Escola de ladrões chega a parecer ingênua, tratando apenas dos crimes comuns, de pouca periculosidade. Henrique Magalhães

 

 

 

 

 

 


Escola de ladrões,
de Archidy Picado Filho

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