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O Memorial da História em Quadrinhos da Paraíba é um projeto de extensão e pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba

Edição:
Henrique Magalhães

Contato: henriquemais@gmail.com

Equipe editorial:
Paloma Diniz

Cobaloradores:
Cristovam Tadeu (detalhe de ilustração para o cabeçalho)

Criou-se em julho de 2013, com fluxo contínuo de atualizações.

   Autores

De grão em grão:
quadrinhos guerreiros de Thaïs Gualberto

Ao passar numa esquina da avenida Ruy Carneiro, na praia de Tambaú, em João Pessoa, deparei-me com uma inesperada colagem em um muro de um terreno baldio. Aquilo chamou-me a atenção por ser uma tira de quadrinhos ampliada e ter conteúdo provocativo e questionador. A autora é Thaïs Gualberto e a arte, sua personagem "Olga, a sexóloga taradóloga". Imediatamente essa ação me remeteu ao movimento de arte de rua que prolifera em São Paulo, onde os stickers, cartazes com textos e grafismos poéticos, partilham os muros da cidade. Também levou-me mais além, pelo caráter panfletário e mobilizador, às pichações com frases políticas que rompiam o cerceamento à liberdade de expressão no combate à ditadura militar entre os anos 1960 e 1980.

Tira de Thaïs Gualberto colada na esquina da avenida Ruy Carneiro

Thaïs é uma quadrinista da nova geração na Paraíba, mas já tem presença marcante. Publicou tiras no jornal estadual A União, foi uma das fundadoras do Coletivo WC (webcomics) e lançou duas edições da revista Sanitário, cujo terceiro número encontra-se em gestação. A obra de Thaïs se destaca pelo tom sempre crítico, traduzindo em linguagem artística as inquietações que a cercam. Sua atitude proativa é a de quem pensa a vida como um palco de transformações, em que os atores devem ser mais que figurantes.

As colagens de Thaïs falam bem de sua coerência como indivíduo e artista, numa demonstração de que a obra não pode estar dissociada da vivência. Mais sobre sua visão de mundo e sua arte no questionário a seguir, enviado à artista em 05/09/2014. Henrique Magalhães

Thaïs, entre final de agosto e início de setembro encontra-se afixado em um muro da cidade uma colagem com uma das tiras de sua personagem "Olga, a sexóloga taradóloga". Como surgiu a ideia dessa intervenção?

Eu já tinha um pouco de experiência com colagens. Os maiores trabalhos que eu fiz foram a intervenção do Coletivo WC no banheiro do Espaço Mundo (bar e espaço cultural alternativo situado na praça Antenor Navarro, centro histórico de João Pessoa), com outras pessoas do grupo e o lambe-lambe com a minha charge do tanque na exposição da Aliança Francesa. Foi a partir dessa última que eu tive a convicção de que dava pra fazer isso com as minhas tiras também.

 
Colagens no Espaço Mundo, no centro histórico de João Pessoa

Em São Paulo, em paralelo aos grafites, há um movimento de stikers, ou colagens, de poemas textuais e gráficos. Você inspirou-se nessas ações?

Com certeza, a arte urbana é uma referência forte para mim. Já tive outras experiências com quadrinhos e stickers também, antes de colar as tiras gigantes eu colei algumas tirinhas pequenas pelo centro histórico, ainda na época do Coletivo WC.

Há apenas uma colagem ou há outras pela cidade? Quando foi feita a primeira colagem e em que local?

A colagem que está ao lado da avenida Ruy Carneiro foi a última que fiz e a única que resiste. Fiz uma em frente à Lagoa (centro da cidade) dia 16 de agosto, durante a Marcha das Vadias, mas ela foi coberta com os tapumes da reforma. Fiz as primeiras no fim de maio, na rua Henrique Siqueira e na Praça Rio Branco (que foi a primeira de todas) e depois mais duas na avenida Epitácio Pessoa, mas essas já foram cobertas com propagandas de show de forró.

Colagens no centro da cidade e na avenida Epitácio Pessoa

O que você pretende com essa ação?

Eu gosto de fazer tiras que falam sobre os problemas da sociedade, mas minhas tiras geralmente só alcançavam meus amigos e pessoas que já acompanhavam a minha fanpage no Facebook. Eu queria falar pra mais gente, queria alcançar aquelas pessoas que seria impossível atingir de outra maneira, queria que fosse impossível pras pessoas da cidade ignorar o que está lá.

Houve alguma reação favorável ou desfavorável à ação de colagem? E ou ao conteúdo da tira?

Na fanpage o pessoal comenta, elogia, mas por incrível que pareça, não vi nenhuma ação desfavorável. Sempre fico meio temerosa de me expor tanto ao tratar de temas polêmicos como aborto e homofobia, assim como também tenho medo de sofrer alguma repreensão pelas colagens, mas tomo sempre cuidado de escolher lugares “sem dono”, como tapumes de construção e muros de prédios demolidos. A única “intervenção” que eu vi em uma tira minha foi reclamando do PT(7), mas no fim das contas achei até engraçado.

Intervenção pública sobre tira de Thaïs

Você conta com apoio de um grupo ou se trata de uma ação individual?

É uma ação individual, um projeto meu, mas sempre tenho ajuda de alguém durante as colagens, às vezes de amigas, às vezes do meu namorado.

Você vê alguma relação entre suas colagens e as pichações de frases políticas nos muros em décadas passadas?

Acho que no fim das contas a intenção é a mesma, tentar transformar a sociedade de alguma maneira, chamar a atenção para certos debates, enfim, fazer do mundo um lugar melhor para todos. Sei que é pouco e não serei eu que irei mudar o mundo, mas acredito na galinha que enche o papo de grão em grão.

Acompanhe a obra de Thaïs no Facebook: www.facebook.com/kisuki.me/
As tiras de "Olga, a sexóloga taradóloga" também estão na edição 5 da revista Maria Magazine
<http://www.marcadefantasia.com/revistas/maria/mariamagazine-05/mariamagazine5.htm>
e no Memorial da HQ da Paraíba <www.memorialhqpb.org>

 

 

 

 


Ampliação de charge para exposição na Aliança Francesa

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