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O Memorial da História em Quadrinhos da Paraíba é um projeto de extensão e pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba

Edição:
Henrique Magalhães

Contato: henriquemais@gmail.com

Equipe editorial:
Paloma Diniz

Cobaloradores:
Cristovam Tadeu (detalhe de ilustração para o cabeçalho)

Criou-se em julho de 2013, com fluxo contínuo de atualizações.

   Autores

A nona arte e sua difusão na Paraíba

Felipe Gesteira entrevista: Henrique Magalhães
Professor e pesquisador da UFPB

Sempre que a história da produção dos quadrinhos na Paraíba for revisitada haverá um marco que delimita o antes e o depois da atuação de Henrique Magalhães e da editora Marca de Fantasia. Professor e pesquisador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), dedica seu trabalho à nona arte e sua difusão.

Ainda na década de 1970 publicou dez números da revista Maria, fez vários álbuns e começou a editar fanzines - publicação que também analisa os quadrinhos - que abriram um novo universo para o pesquisador, tanto que o levaram a fazer mestrado e doutorado na área. Hoje coordena o Grupo de Pesquisa em Humor, Quadrinhos e Games (GP-HQG), além do novíssimo trabalho com o Memorial HQPB (http://memorialhqpb.org), e assina a coluna Mídias em destaque, todas as terças-feiras no jornal A União.

Como começou o trabalho com quadrinhos e fanzines?

Trabalho com quadrinhos desde a adolescência, aos 15 anos, quando comecei a fazer meus próprios quadrinhos. Criei a personagem Maria, que se destacou na época. Comecei a publicar nos jornais O Norte e A União, em suplementos dominicais que abriam espaço para os jovens quadrinistas. Amadureci meu trabalho publicando em jornais, tanto em suplementos como em tiras diárias.

Nessas novas mídias digitais, como está o espaço dos quadrinhos e fanzines?

Teve uma mudança muito forte no paradigma das publicações. Mesmo as grandes editoras internacionais, como Marvel e DC, começaram a publicar as revistas digitais em paralelo às impressas. Só que hoje publicam, em alguns títulos, o digital antes do impresso, então a prioridade começa a se inverter. Com a disseminação dos tablets, as revistas digitais tiveram um impulso muito grande. A gente pode fazer também um paralelo com os fanzines, que na década de 1980 era a única forma de trocar informações entre fãs e com as crises econômicas, esse fanzines, que eram feitos em xérox, de forma rudimentar, quase acabaram. Muitos migraram para um fanzine eletrônico, depois uma home page, ou um blog, depois uma fanpage.

Há uma transferência da forma de comunicação. O digital facilita o trabalho de quem estava à margem do mercado editorial?

É mais fácil hoje expor sua obra. Os fanzines impressos dependiam de uma logística meio complicada. Primeiro a qualidade em fotocópia, que não era muito boa. Depois, dependia também de remeter pelos Correios, era um serviço a mais. Com a internet você coloca sua obra na rede e o alcance não tem limite, com custo praticamente zero. Você pode espalhar suas ideias em fanzines eletrônicos, redes sociais, e muitos autores têm tirado proveito disso até chegar ao mercado.

Qual a importância da Marca de Fantasia para o mercado editorial paraibano?

A Marca de Fantasia é uma editora independente, sem fins lucrativos, e ligada ao Mestrado em Comunicação. Temos um campo próprio, que é a promoção dos quadrinhos e da pesquisa dessas histórias, independente de mercado. Não nos guiamos pelo lucro, ou por uma grande audiência para manter a editora. Fazemos o que achamos importante, independente se vai ter um grande público ou não. É interessante porque a maior parte dos novos autores, e mesmo os veteranos, não encontram espaço no mercado editorial, a maioria está fora, então é um público autor muito grande para se trabalhar e expor, mostrar que existe trabalhos fora do mercado editorial. A importância da Marca de Fantasia é dar abertura para esses novos quadrinistas e resgatar a obra dos veteranos.

Como o autor que não encontra espaço no mercado editorial pode publicar pela Marca de Fantasia?

Temos uma linha editorial. Trabalhamos com quadrinhos experimentais, poéticos, filosóficos, mas também com quadrinhos tenham um tom underground, que seja fora do comum que é produzido para o mercado. Não nos interessa publicar uma réplica de super-herói, porque isso não acrescenta nada. Alguém que tenha um trabalho autoral, humorístico, crítico, isso nos interessa muito porque vamos construindo um acervo de autores e de produções que não são de interesse do mercado.

Como está o trabalho do Memorial HQPB?

O Memorial, ao mesmo tempo que é um projeto de pesquisa, é também uma espécie de museu virtual com o objetivo de registrar a história dos quadrinhos na Paraíba desde o seu início, que é de 1963, com Deodato Borges. A história do quadrinho na Paraíba é tão ampla e tão rica que vai dar trabalho pelo resto da vida para fazer. Sempre teremos o que acrescentar, dentro das pesquisas sobre os autores antigos, principalmente. À medida que os atuais vão lançando publicações, vão entrando no Memorial. É um projeto de fôlego, de longo prazo, pra gente deixar esse acervo disponível na internet para futuras pesquisas.

Como está posicionado o quadrinho paraibano no cenário nacional?

Tem vários aspectos, desde a produção bastante local, experimental, com pessoas que estão iniciando com fanzines e autoedição. Não existe mercado no Brasil para os quadrinhos brasileiros, não só paraibanos. O mercado é mais de importação de personagens e títulos de fora do país. No entanto temos nomes na Paraíba de grande destaque, como o caso de Deodato Filho, conhecido como Mike Deodato, que desenha para várias editoras americanas, e outros que também desenham para editoras do exterior, como Jack Herbert. Existe um estúdio de agenciamento, que é o Rascunho, de Alzir Alves, então há uma perspectiva de mercado. Temos a obra de Emir Ribeiro, Velta, que é conhecida nacionalmente, e temos Shiko, que está despontando como a grande revelação.

Falta valorização para o quadrinho brasileiro?

Não é que o brasileiro não goste do quadrinho nacional, o que falta é um investimento editorial. As editoras comerciais visam simplesmente o lucro. Quando compram um produto externo, esse produto já vem todo formatado para gerar lucro, com produtos derivados, desenhos animados, camisas, bonecos. O que vem de fora é muito barato porque já está pago lá fora. É difícil concorrer, não há uma política de valorização. As editoras não investem em formação de público.

Sobre o financiamento público, os editais são suficientes?

Pontualmente existe acesso dos quadrinhos paraibanos. Eu mesmo já editei um álbum de Maria pela Lei Viva Cultura. Emir Ribeiro editou um álbum da história da Paraíba em quadrinhos. Shiko também teve o Blue Note, pelo Estado. A melhor proposta seria um edital específico para histórias em quadrinhos. Isso focaria a seleção. Os quadrinhos não teriam que concorrer com cinema, teatro, música. Seria uma boa solução para o incentivo da produção paraibana.

Felipe Gesteira (reporter@felipegesteira.com) Especial para A União

A nona arte e sua difusão na Paraíba. Entrevista: Henrique Magalhães. Felipe Gesteira. João Pessoa: A União, 10 de outubro de 2013, p.3.

 

 

 

 

 


Henrique Magalhães, no traço de Tônio

 

 

 

 

 

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